Facebook e a nossa privacidade

Já alguma vez pensou na sua privacidade e na informação (fotografias, posts, comentários, etc.) que tem andado a partilhar no vosso mural do Facebook e de outras redes sociais?

Num estudo orientado pela Consumer Reports, foi concluído que maior parte dos americanos ignoram os parâmetros da confidencialidade e segurança da partilha de dados. Isso não acontece apenas na América, mas também cá em Portugal.

Vamos a factos. Mais de 150 milhões de americanos estão registados no Facebook e este número tem tendência a aumentar dia para dia, porque é uma rede social que une facilmente os amigos, os familiares, os colegas de trabalho, os alunos, os professores, por aí fora. Aqui são partilhadas N coisas: fotografias, documentos, pensamentos, dúvidas, etc. Isto tem feito com que o Facebook se tem tornado mais do que numa rede social, numa máquina devoradora de informações pessoais. Será bom? Será mau? Vamos ver.

Durante esse estudo da Consumer Reports, foi concluído que:

As pessoas partilham muito. Mais de 4,8 milhões de pessoas têm usado o Facebook para partilharem viagens, saídas, visitas em um determinado dia (uma potencial dica para assaltantes) e que 4,7 milhões “gostavam” de ver / ter uma página de Facebook sobre condições ou tratamentos de saúde (pormenores que podem ser observados por companhias de seguro).

As pessoas ignoram os controles de privacidade. Quase 13 milhões de utilizadores afirmaram nunca ter ido às definições de privacidade ou terem mexido nas ferramentas de privacidade e 28 porcento confirma ter partilhado tudo, ou quase tudo, no seu mural com um público que vai além dos seus amigos ou conhecidos.

Facebook recebe mais informação do que alguma vez imagina. Por exemplo, sabia que o Facebook recebe um relatório a cada vez que visita um site com um botão “Gosto” (“Like”) do Facebook, mesmo que nunca clique nesse botão, com ou sem login feito, com ou sem conta no Facebook?

Os seus dados são partilhados mais amplamente do que podem imaginar. Mesmo que tenha restringido a informação de modo a que esta seja vista apenas por amigos, um destes amigos que esteja a usar uma aplicação do Facebook pode vir a transferir os seus dados e enviá-los para terceiros sem o seu conhecimento.

Protecções legais são fantochadas. As leis de privacidade online norte-americanas são mais fracas que as da Europa e grande parte do Mundo. Logo aí, existem menos direitos federais para ver e controlar a maioria das informações que as redes sociais recolhem sobre o utilizador.

E os problemas estão em ascensão! Onze porcento dos agregados familiares que usam Facebook disse que teve problemas no ano passado, por exemplo, ao receberem ameaças ou serem perseguidos, verem as suas contas comprometidas por invasão de terceiros, etc. Este facto estende-se a 7 milhões de domicílios – 30 porcento mais que no ano anterior.

Com todas estas histórias que temos ouvido falar sobre o Facebook, há claras evidências de que as pessoas estão usando esta rede social com mais precauções. 25 porcento afirma que falsificou informações para proteger a sua identidade, acima dos 10 porcento de há 2 anos atrás. Mas outros problemas podem resultar da colecta de dados pelo Facebook, de como ele administra e controla os seus controles de privacidade, pois estes dados podem cair nas mãos de pessoas ou empresas de quem você não tinha intenção de partilhar.

As questões de segurança e privacidade são muito debatidas pelos funcionários da Facebook, ao ponto de saírem publicamente. Andrew Noyes, gerente de políticas de comunicação pública da empresa Facebook, foi entrevistado pela Consumer Reports e afirmou que a empresa tem graves problemas de privacidade e segurança. Perante isso o Facebook tem feito esforços para responder às preocupações.

Neste artigo vamos examinar a diferença entre dois pontos de vista para vermos onde a verdade é fictícia. Estamos a concentrar-nos mais no Facebook pois esta é a maior rede social mundial, com 800 milhões de utilizadores, um número largamente superior comparando com o Google + e o LinkedIn.

As redes sociais estão reescrevendo as regras sociais

Uma coisa é certa: o Facebook e outras redes sociais estão mudando a maneira como o mundo opera.

Exemplos não faltam. Facebook criou recentemente uma parceria com o Department of Labor (Departamento de Trabalho) e outros para ajudar a conexão entre candidatos a emprego e empregadores, desenvolvendo sistemas para fazerem postagens de emprego. Quando os tornados atingiram o Meio-Oeste e o Texas, este ano, as famílias reencontraram animais perdidos com a colocação de fotos nos murais. O Facebook também se torna um meio de comunicação entre os militares que estão cumprindo serviço no Afeganistão, e as suas famílias nos Estados Unidos da América. Esta rede também serve para partilhar opiniões sobre o governo e empresas, e fazer chegar aos ouvidos a quem dantes não conseguíamos.

O site também ajuda o comércio. Como todos nós sabemos, já são várias as empresas que usem o Facebook para publicitar o seu negócio. Com a possibilidade de cada utilizador colocar um “Gosto” (“Like“) nas páginas empresariais, o negócio dessas empresas tem crescido e estas têm respondido às necessidades da procura, recorrendo aos chats e outros meios disponibilizados no Facebook.

O Facebook também reservou um espaço para anúncios e estes são o que mantém o Facebook tão rentável. A empresa utiliza os seus dados para ajudar os anunciantes a veicular anúncios que lhe podem ser úteis. Mas é bom saber que o Facebook não partilha as nossas informações com os anunciantes quem compram esses anúncios, a menos que lhes demos permissão.

De acordo com o objectivo de Zuckerberg, frequentemente declarado de “tornar o mundo mais aberto e conectado”, quanto mais dados partilharmos, mais o Facebook sabe sobre nós tornando-se um grande alvo para anúncios.

Porém existem ainda pessoas que não se importam em partilhar tudo o que fazem, sítios que visitam, fotografias, vídeos, sites que visitam, compras que fazem, planeamento de objectivos, etc.

Aplicações podem comprometer a privacidade

Os jogos e aplicações são uma boa maneira de fazer com que os seus dados se escapem de si. Sempre que se executar uma aplicação, esta pede para aceder a informações tais como nome, sexo e foto de perfil, bem como ainda a lista de amigos. Ao acederem a esta informação, esta poderá ser facilmente publicada. E se dermos as permissões a algumas aplicações, estas podem espreitar mais em nossos dados e até mesmo ver as informações que os nossos amigos partilham connosco, a menos que se tenha expressamente proibida a partilha de aplicações nas configurações de privacidade.

Kevin Johnson, consultor de segurança na Flórida afirma que Facebook exerce apenas a supervisão básica de desenvolvedores de aplicações baseadas em web.

O que é que isto quer dizer? A empresa Facebook não se compromete em vigiar e analisar todo o código fonte de todas as aplicações que são criadas para funcionar no Facebook ou para acedermos a ele, antes de serem publicadas, descartando assim toda a responsabilidade para essas empresas ou pessoas que as criem.

Temos ainda o problema dos smartphones. Até que ponto estes são seguros? Agora com os sistemas operativos Android e iOS, podemos aceder ao Facebook, partilhar dados através das aplicações que nos são fornecidas pelos Market da Apple e da Google que podemos instalar nos nossos smartphones ou iPhones. Este último até possui uma aplicação gratuita, desenvolvida pela Math Camp, dá a possibilidade de sermos acompanhados nas nossas viagens usando os dados de GPS. É executado silenciosamente no seu smartphone até que detecte outra pessoa que use a função “Highlight nearby”. Desta forma, essa pessoa é logo alertada sobre a nossa presença mostrando as fotos do nosso perfil, amigos mútuos e qualquer outra coisa que se tenha partilhado.

Continua…

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Sobre: Rui Silva

Fundador e criador do site "i-Técnico - Informática Para Todos".

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