Google Maps: Pode confiar nos trajectos sugeridos? Um caso real em Torres Novas
Confiar cegamente numa aplicação de navegação pode sair caro. Em Torres Novas, existe uma rota do Google Maps que indica uma viragem expressamente proibida.
O Google Maps indica uma viragem à esquerda numa intersecção onde a sinalização proíbe essa manobra. | 📷 i-Técnico
O Google Maps é uma das aplicações de navegação mais utilizadas no mundo. Permite procurar locais, calcular trajectos e receber indicações passo a passo durante uma viagem. No entanto, nenhuma aplicação é infalível e vamos comprovar já de seguida isso com um simples trajecto de cerca de um quilómetro.
Onde está o erro do Google Maps?
O percurso apresentado pelo Google Maps tem aproximadamente um quilómetro e passa pela zona da Escola Prática de Polícia. Na simulação apresentada abaixo, o Maps considera esta a rota mais rápida, com 950 metros e cerca de 2 minutos de viagem. Pode e deve confirmar no Maps clicando aqui.

O problema surge na intersecção da Rua de Nossa Senhora do Vale com a Rua do Bom Amor, junto ao conhecido mural dos cavalos restaurado e pintado em 2022.
Antes do sinal STOP existe um sinal que proíbe claramente virar à esquerda. Portanto, o condutor é obrigado a virar à direita. Para seguir as indicações do Google Maps, teria de virar ali à esquerda, cometendo uma contra-ordenação. É importante saber que o desrespeito pelas mensagens transmitidas pelos sinais de proibição é sancionado, em regra, com uma coima de 60 € a 300 € (valor confirmado pelo artigo 26.º do Regulamento de Sinalização do Trânsito). Além disso, nesse local, essa manobra seria de grande risco, podendo provocar facilmente incidentes.
A situação foi confirmada por nós de várias formas: na pré-visualização do percurso, nas indicações passo-a-passo, durante a navegação e através do conhecimento pessoal do local.
A restrição também não é recente. Pois, segundo o nosso conhecimento da zona, esta organização do trânsito existe há mais de 30 anos.
Porque pode o Google Maps apresentar uma rota errada?
O Google Maps utiliza diferentes fontes para manter a informação cartográfica actualizada, incluindo dados fornecidos por utilizadores e parceiros, como entidades públicas e empresas, além de imagens e sistemas automatizados. Para calcular trajectos e condições de trânsito também utiliza dados de localização agregados e informação disponibilizada por parceiros.
Quando alguma restrição de circulação não está correctamente representada nos dados utilizados pelo Maps, o cálculo do trajecto pode consequentemente sugerir uma manobra que não corresponde à sinalização existente no local.
Neste caso concreto, não conseguimos determinar por que motivo a proibição de virar à esquerda não está a ser considerada pelo Google Maps. Sabemos apenas que a restrição existe no local e que o trajecto calculado continua a indicar essa manobra.
Nem todas as apps erram: o que mostra a Apple Maps e o Waze
Para perceber se este era um problema exclusivo do Google Maps, testei a mesma viagem noutras duas aplicações de navegação. Tanto a Apple Maps como o Waze acertam na manobra: em vez de indicarem a esquerda proibida, sugerem o caminho que respeita a sinalização. Ufa, com esses dois eu não vou ser multado!
Na Apple Maps, o trajecto sugerido (2 km cerca de 2 minutos), segue pela Variante do Bom Amor, contornando a intersecção problemática. Já o Waze vai mais longe: apresenta essa mesma rota correcta como “melhor rota” (2 km, 3 minutos, via Rua de Nossa Senhora do Vale, N349 e Avenida do Bom Amor) e ainda sugere uma segunda alternativa, mais longa mas igualmente válida (5,5 km, 9 minutos, via Avenida 8 de Julho).
Portanto, o problema não está na dificuldade do trajecto, nem é um “erro geográfico” impossível de evitar, pois outras aplicações já calculam correctamente a mesma viagem. A falha está no trajecto calculado pelo Google Maps para esta intersecção específica.
GPS ou sinalização: quem tem sempre a última palavra
Nenhuma aplicação de navegação substitui a sinalização de trânsito. Seja o Google Maps, o Waze ou qualquer outro sistema, todos são ferramentas de apoio à condução e… nunca uma autoridade. A sinalização vertical e horizontal está sempre acima de qualquer indicação de voz ou seta no ecrã (tela).
Na prática, isto significa que, se a aplicação lhe disser para virar à esquerda e o sinal físico proibir essa manobra, deve respeitar sempre o sinal. Ignorá-lo pode resultar em contra-ordenação e, nos piores casos, num acidente sobretudo em intersecções onde a manobra inesperada pode colocar outros condutores em risco.
Por isso, sempre que conduzir numa zona pouco familiar, ou mesmo numa zona conhecida, mas com uma intersecção mais complexa, vale a pena abrandar antes do cruzamento e confirmar visualmente a sinalização antes de executar qualquer manobra sugerida pelo GPS.
Como reportar erros ao Google Maps
A boa notícia é que qualquer condutor pode ajudar a corrigir algumas falhas do Google Maps. No smartphone, com a aplicação Google Maps aberta, basta tocar em “Contribuir”, na barra inferior, e escolher a opção “Atualizar estrada”. De seguida, seleccione o troço da estrada onde detectou o problema e indique o tipo de erro, por exemplo, sentido de trânsito incorrecto. Depois de confirmar os dados correctos, é só enviar.
Mas há um problema neste caso concreto: não existe propriamente um erro na estrada representada no mapa. As vias estão correctamente desenhadas. O erro está no trajecto calculado pelo Google Maps, que permite uma viragem que a sinalização existente proíbe.
Para este tipo de situação, a Google disponibiliza outra opção: denunciar um passo incorrecto nas direcções. Só que, segundo a própria documentação da empresa, esta funcionalidade apenas está disponível através de um computador e em determinados países ou regiões. Não é possível fazê-lo através do telemóvel (celular) ou tablet.
E consigo, já aconteceu?
Já encontrou alguma indicação errada no Google Maps, Waze ou noutra aplicação de navegação? Uma rua em sentido proibido, uma estrada que já não existe ou um trajecto que simplesmente não fazia sentido?
Conte-nos nos comentários o que aconteceu e onde foi. Quem sabe se não encontramos mais situações como esta espalhada por Portugal ou pelo mundo afora.
E, se conhece alguém que costuma seguir o GPS quase de olhos fechados, partilhe este artigo com essa pessoa. Às vezes, olhar para o sinal à nossa frente continua a ser melhor do que confiar na seta que aparece no ecrã. 😉


